Religião


        
A Páscoa do Coelho e a do Cordeiro


     
           É abril novamente! Mês que começa com o “dia da mentira” e continua, no transcorrer dos seus trinta dias, com as mesmas de sempre, seja no campo político, seja no campo do esporte, seja no que corresponde às comemorações cívicas, seja, até mesmo, com relação aos nossos heróis nacionais – sempre tratados com muito desprezo – ou mesmo nas comemorações religiosas, lá está a mentira presente.
          A principal data do mês para a cristandade é, sem dúvida, a Páscoa, que através dos anos foi perdendo cada vez mais seu significado maior que é a nossa libertação, através do sacrifício do Cordeiro Pascal, e da nossa passagem da morte para a vida, verdade que foi substituída pela mentira de um coelho que bota ovos de chocolate.  A obsessão e a expectativa da maioria das pessoas (e até de cristãos!) é no domingo receber seu ovo de páscoa: o sonho de consumo do mês, que torna viva na memória a grande mentira do “coelho” e deixa cair no esquecimento o grande significado do Cordeiro.
          Nós, os pais e mestres cristãos, realmente comprometidos com o reino de Deus, não podemos aceitar impassíveis o cardápio oferecido pelo “coelho” nessa memorável data – tão ou mais importante que o natal, pois se neste (hoje também motivo de alegria para os comerciantes do mundo inteiro) é anunciado o nascimento do que viria para nos salvar, agora é anunciada a efetivação da salvação por Ele realizada. Sim, a Páscoa representa a consumação de nossa total libertação de todo o jugo opressor e mentiroso. E é época de comemorar a certeza dessa vitória; da passagem que nos levou à vida, para professarmos a verdade de Deus.
          Quando Moisés começou a recordar ao povo os feitos do Senhor e a repetir a lei, inclusive as festas instituídas (Dt. 16), a intenção era de que tudo fosse sempre lembrado e ensinado, principalmente às crianças, aos filhos: “Estas palavras que hoje te ordeno, estarão no teu coração, tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te e ao levantar-te” (Dt. 6:6-7). E é nessa lei e nessa verdade que deve estar posto o nosso coração de pais e mestres. É isso que devemos fazer lembrar e ensinar aos nossos filhos.  Se essas forem as únicas pessoas que podemos alcançar para proclamar a verdade: façamo-lo. Esse é o nosso dever.  A Páscoa do Cordeiro é que deve ser o principal motivo de nossa comemoração. Precisamos estar conscientes do verdadeiro significado da nossa libertação e estarmos conscientes de nossa responsabilidade de conduzirmos nossos filhos e alunos à verdade.  Toda a verdade deve ser restabelecida desde o dia primeiro de abril até o dia 31 de março do ano seguinte.  Cabe a verdade do cardápio que o Senhor nos propõe, em contraste com o cardápio que nos é imposto pelo “coelho” mentiroso.  No cardápio do Senhor não constam os ovos de coelho.  Ainda que o cardápio Dele possa algumas vezes parecer em nossa boca doce como um chocolate, algumas vezes ele se faz amargo em nosso ventre (Ap.10:9).
          Ao instituir a Páscoa o Senhor revelou o cardápio que Ele deseja que esteja posto em nossas mesas diariamente: ervas amargosas, para podermos lembrar que essa vitória, que nossa libertação foi conquistada com dor e amargura; com sangue precioso. Ele serve também a cabeça do Cordeiro, para que possamos levar conosco os pensamentos do Cordeiro, que é Cristo. As pernas do Cordeiro, que nos faz andar em seus caminhos, sem desviarmos... E a sua fressura, a parte mais difícil de engolir, pois nela está contida a compreensão para com as outras pessoas, o perdão, a nossa cota de sacrifício que possamos encontrar, diante da dificuldade de levarmos essa verdade. E essa fressura deve ser comida totalmente. Não pode sobrar resto. Se acaso sobrar, ou o que sobrar, queimar no fogo do esquecimento (Ex.12:8-10).
          Pais e mestres, cuidemos de observar aquilo que o Senhor nos tem ordenado. Restabeleçamos a verdade de Deus todos os meses e dias do ano.  E ensinemos aos nossos filhos, que foi no mês de abril (Abibe, que no calendário de então poderia corresponder a março ou abril do nosso) que o Senhor nos tirou da noite em que nos encontrávamos para nos conduzir à Sua gloriosa luz.


Luís Bomfim